Armando Contra as Armas

Jewish World Review, 5 de Agosto de 1999

Por Thomas Sowell, atual membro sênior 'Rose e Milton Friedman' do Instituto Hoover na Universidade de Stanford, California. Sua produção literaria inclui 20 livros na áreas econômica, social e política, inúmeros artigos em jornais acadêmicos e revistas, e uma coluna na revista Forbes.

AGORA QUE A CHACINA em Atlanta levou a exigências previsíveis para mais leis federais sobre o controle de armas, vamos pelo menos fazer um esforço para pensar racionalmente. É a maneira de prevenir mais tragédias como a de Atlanta passando leis que asseguram que praticamente todos os americanos estarão desamparados como aqueles que foram fuzilados e mortos por Matt Barton? Isso faz qualquer sentido?

Quando as pessoas perguntam emocionalmente, "Como podemos parar estas coisas?" a mais direta resposta é perguntar: Como foi de fato parado? Foi parado, como na maioria das chacinas, pela chegada no local de outras pessoas com armas.

É o monopólio de armas por pessoas com más intenções que é perigoso. Alguns dos lugares mais perigosos dos E.U.A. são lugares onde restritas leis sobre o controle de armas proporcionam garantia a criminosos violentos de que suas vítimas não serão capazes de se defender.

E se cada terceira ou quarta pessoa naquela construção em Atlanta tivesse uma arma disponível no momento? Sob tais condições, é muito improvável que Matt Barton poderia ter atirado em 22 pessoas antes ser parado.

Há comunidades cuja as leis sobre armas permitem que cidadãos idoneos tenham pronto acesso a armas de fogo e onde muitos cidadãos adequadamente registram suas armas. Estas comunidades têm menos violência em geral e menos chacinas como esta em particular. Não seria melhor se ninguém tivesse armas? Naturalmente seria. Seria melhor se o homem nunca tivesse inventado o arco-e-flecha, muito menos armas modernas. Mas isso não é uma opção séria.

A coisa que as assim chamadas leis sobre o "controle de armas" não fazem é controlar armas. Elas desarmam vítimas potenciais. As pessoas que não se preocupam com as leis sempre podem obter armas num país com 200 milhões de armas e mais outras entrando, tanto legal como ilegalmente.

Nós não podemos nem parar a vinda de milhões de seres humanos para este país ilegalmente -- e uma arma é muito menor que uma pessoa. Esta realidade básica não é mudada por políticos e os berrantes da imprensa que apelam às emoções e ao simbolismo clamando por mais leis sobre armas. Você sempre pode passar leis 'me-sinto-bem' ignorando suas conseqüências reais. Aliás, nós já fizemos demais isso em muitos outros assuntos.

Os maiores hipócritas sobre o controle de armas são aqueles que vivem em condomínios de luxo com guardas de segurança armados -- e que querem manter as outras pessoas sem armas para se defender. Proprietários afluentes pagam para ter patrulhas de segurança armadas e privadas percorrendo suas vizinhanças. Muitos deles são também pelo controle de armas. Naturalmente você não tem de ter uma arma você mesmo quando você está pagando outras pessoas para carregarem armas por você. Mas e as pessoas de baixa-renda que vivem em vizinhanças de alta criminalidade nos centros urbanos? Devem tais pessoas serem mantidas desarmadas e desamparadas, de modo que socialistas de limusine possam "fazer a diferença" adicionando às milhares de leis sobre armas já nos livros?

Poderiam bandos de vagabundos armados e criminosos prosperar e aterrorizar vizinhanças inteiras, como o fazem, se as pessoas ao seu redor tivessem armas? Nós não temos de especular. Estudos da Universidade de Chicago mostram que a violência diminue imediatamente em comunidades que passam leis permitindo que cidadãos idoneos carreguem armas ocultadas.

Tais comunidades não têm tiroteios nas ruas nem polícias mineiras -- os grandes fantasmas daqueles que amam acreditar que faltam nos outros os miólos ou a decência que reservam para os sagrádos como eles. Contrário àqueles para quem a política é uma viagem do ego, tanto os cidadãos como os criminosos têm bom senso. Essa é a razão pela qual há mais tiroteios quando somente um lado tem armas.

Se o real propósito das leis sobre o controle de armas fosse prevenir crimes, então nós esperaríamos que os seus mais fervorosos defensores seriam fervorosos quanto a outras medidas anti-criminalidade. Eles não são. Pelo contrário, aqueles que são mais vocais contra armas são geralmente os mais relutantes em colocar criminosos atrás das grades e em manter eles lá.

Quantos defensores de controles de armas chegaram a notar -- muito menos protestaram -- que John Hinckley, o que tentou assassinar o presidente Reagan e feriu penosamente o secretário de imprensa Jim Brady no processo, está agora andando pelas ruas novamente em regime aberto? Contráriamente, eles exploraram o tiro que Jim Brady levou para passar leis desarmando mais cidadãos que nunca atiraram em ninguém.

Há uma possibilidade muito real de que a tragédia em Atlanta levará a mais leis que tornarão tais tragédias mais prováveis.

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