Mitos Sobre o Controle de Armas II

Townhall.com, 27 de Novembro de 2002


Por Thomas Sowell, atual membro sênior 'Rose e Milton Friedman' do Instituto Hoover da Universidade de Stanford. Sua produção literaria inclui mais de 20 livros nas áreas econômica, social e política, inúmeros artigos em jornais acadêmicos e uma coluna na revista Forbes. Sowell se graduou Magna Cum Laude em Harvard (1958), fez mestrado em economia na Universidade de Columbia (1959) e Ph.D. em economia na Universidade de Chicago (1968).

Falar sobre fatos com os fanáticos antiarmas só vai irritá-los. Mas o resto de nós precisa saber os fatos. Mais que isso, precisamos saber que muito daquilo que os antiarmas chamam de “fatos” não agüenta um exame minucioso.

O grande dogma dos antiarmas é que lugares com as mais severas leis antiarmas têm índices mais baixos de homicídio e de outros crimes cometidos com armas. Como eles provam isso? Simples. Eles fazem comparações de lugares onde isto acontece e ignoram todas as comparações onde o oposto ocorre.

Fanáticos antiarmas comparam os EUA com a Inglaterra para mostrar que o índices de homicídios são menores em lugares onde as restrições a posse de armas são mais severas. Mas você poderia também comparar a Suíça com a Alemanha, a Suíça tendo um índice de homicídio menor do que o índice alemão apesar de ter, percentualmente, uma população três mais armada. Outros países onde, percentualmente, a população é altamente armada e o índice de homicídios é baixo são Israel, Nova Zelândia e Finlândia.

Dentro dos EUA, as zonas rurais têm populações bem armadas e índices de homicídios baixos; a população branca está mais bem armada percentualmente do que a população negra e tem um índice menor de homicídios. No país (n.t.: EUA) como um todo, o percentual da população que possui armas curtas dobrou próximo ao final do século vinte enquanto que o índice de homicídios caiu. Mas tais fatos não são mencionados pelos fanáticos antiarmas nem pela mídia esquerdista.

Outro dogma entre os que apóiam leis antiarmas é que a posse de uma arma em casa, para auto-defesa, é desnecessária e só aumenta suas chances do dono se ferir ou morrer. Sua melhor saída, de acordo com este dogma, é não oferecer qualquer resistência ao invasor.

Pesquisas acadêmicas dizem o contrário. Pessoas que não resistiram foram feridas com o dobro da freqüência daquelas que resistiram com uma arma. Aquelas que resistiram sem uma arma obviamente são as que foram feridas com maior freqüência.

Tais fatos são simplesmente ignorados pelos fanáticos antiarmas. Eles preferem citar um estudo publicado há alguns anos atrás no New England Journal of Medicine que já foi demolido por vários pesquisadores. De acordo com este desacreditado estudo, pessoas com armas em casa tinham maiores chances de serem mortas.

Como chegaram a esta conclusão? Eles pegaram as pessoas assassinadas em casa, averiguaram quantas (percentualmente) tinham armas em casa, e então fizeram uma comparação com pessoas que não foram mortas em casa.

Usando a mesma lógica você poderia demonstrar que pessoas que contratam guarda-costas aumentam as chances de serem assassinadas. Obviamente pessoas que contratam guarda-costas já se sentem ameaçadas, mas isso significa que os guarda-costas são a razão da ameaça?

Raciocínio similarmente ilógico já foi usado contando quantos invasores foram mortos por residentes armados e então comparando este número com o número de residentes mortos pela arma mantida em casa.

A maioria dos usos de armas em auto-defesa--tanto em casas quanto nas ruas--não envolve um disparo. Quando a potencial vítima puxa a arma, o bandido em geral tem cérebro o suficiente para desistir do crime. Mas as vidas salvas desta maneira não são contadas.

Pessoas mortas em casa por membros da família são extremamente atípicas. A vasta maioria destas vítimas já chamou a polícia em casa devido à violência doméstica, e mais da metade chamou a polícia várias vezes. Os assassinos nestes casos não são pessoas normais que se irritaram quando uma arma estava por perto.

Também na maioria dos casos não são “crianças” mortas à bala meros nenéns que encontraram uma arma municiada. A maioria destas “crianças” são adolescentes membros de gangues que se matam deliberadamente.

De fato algumas crianças pequenas morrem acidentalmente pelo manuseio de uma arma em casa--mas este número é menor do que o número de crianças que se afogam em banheiras. Alguém está propondo a proibição de banheiras? Além disso, durante os anos o número de acidentes fatais com armas caiu enquanto que o estoque de armas aumentou em algumas dezenas de milhões de armas (n.t.: nos EUA).

A maioria dos argumentos dos antiarmas são castelos de areia.

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