Alerta Vermelho para a Barra da Tijuca

Globo.com, 19 de Agosto de 2000

Angelina Nunes

Depois de recentes casos de violência na Barra da Tijuca, com grande repercussão na cidade, o policiamento ostensivo foi reforçado nos últimos dias com mais 210 homens, elevando para mais de 400 policiais o efetivo daquela área. E mais: um projeto de cinco anos deve sair do papel para reduzir a sensação de insegurança no bairro. No início de setembro será inaugurado o Posto de Apoio Comunitário (PAC), financiado pela iniciativa privada a um custo de R$ 80 mil. O posto está pronto há três meses, à espera de policiais. Segundo os números oficiais do mês de julho, nos índices de criminalidade a Barra encabeça a estatística de assaltos a residência e estupros. O bairro também está em terceiro lugar em homicídios dolosos e furtos de veículos.
A fama de bairro violento incomoda os moradores. No Jardim Oceânico, por exemplo, é visível o número de seguranças particulares nas ruas e até dentro dos prédios. Uma atividade lucrativa: o custo dessa segurança em prédio pode chegar até a R$ 1.200 por mês. O delegado Gerson Filgueiras, diretor do Departamento Geral de Atividades Especiais, não concorda com a presença de seguranças nas ruas:
- Esse tipo de atividade não é legal. A função de policiamento ostensivo é da polícia. Se houver uso de armas, precisamos verificar se estão cumprindo a legislação.
Para diminuir a atuação dessa segurança sem controle, a polícia está notificando os estabelecimentos comerciais para que eles informem se têm seguranças e se eles atuam armados. A notificação se estenderá aos condomínios. Moradora do Jardim Oceânico, Ana Maria Magno critica a falta de policiamento:
- É um absurdo pagarmos para ter segurança particular, para evitar a violência.
O presidente do Barralerta, Cleber Machado, disse que há cinco anos o projeto dos PACs prevê a construção de 11 postos nas principais vias de acesso ao bairro. O primeiro PAC está localizado na esquina das avenidas Ministro Ivan Lins e Gilberto Amado, próximo ao Túnel do Joá.
- A Barra está gritando por socorro. Temos arrecadado verbas para construção de todos os postos. Mas as próprias autoridades pediram para construirmos apenas três até o fim do ano porque não têm efetivo para colocar nos postos - lamenta Machado.
Os outros dois postos serão construídos no canteiro central próximo ao encontro da Linha Amarela com a Avenida Ayrton Senna. O terceiro ficará na descida do Alto da Boa Vista, próximo ao Itanhangá.
- Estamos preocupados com o índice de estupros. É uma época atípica, no inverno. Imagine quando chegar o verão e houver um acréscimo de até cinco vezes mais a população - disse Machado.
A Barra tem cerca de 130 mil moradores, segundo as estatísticas. O presidente da Acibarra, José Maria Herdy, defende o reforço na segurança, mas não considera que o crescimento da violência no bairro seja tão vertiginoso. Este mês, a Barra figurou na crônica policial por conta de assaltos a residência, como foi o caso do deputado federal Eduardo Paes. Ele teve o apartamento invadido por seis homens armados, foi agredido e ameaçado de ser queimado. Outra vítima da violência no bairro foi a presidente da Federação Estadual de Ginástica Olímpica, Andréia Ferreira João, baleada num assalto.
O comandante do núcleo do 31º BPM, Mauro Teixeira, explicou que estão sendo feitos esforços para reduzir os índices de violência:
- Zerar o crime é o ideal. Estamos fazendo nosso trabalho


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