Armas, Caça, Ecologia e Economia

O lobby anti-armas procura desqualificar qualquer reação ao PL 1073 (Lei do Desarmamento Civil) vinda do Rio Grande do Sul. Seria resultado da pressão das fábricas de armas gaúchas.

Na verdade, há profundas raízes para a oposição gaúcha. Em primeiro lugar, vêm as dezenas de milhares de empregos que o setor gera. Não só funcionários das fábricas, mas também armeiros independentes, artesãos coronheiros, lojistas e seus funcionários. O impacto do colapso do comércio de armas sobre o Estado seria terrível, neste sentido. Não só pelo desemprego, mas também pelo fim de um estilo de vida tradicional.

Ao mesmo tempo, a arrecadação de impostos estaduais e municipais sofreria uma queda significativa, com reflexos negativos sobre a prestação de serviços estatais à população. São fenômenos econômico-sociais importantes e legítimos, e todos negativos.

E há mais.

O Rio Grande do Sul é o único Estado brasileiro que tem uma temporada de caça. Não é só por tradição, mas por sólidos motivos práticos. Só é permitida a caça de aves aquáticas, quando migram da Argentina. O objetivo é evitar que, por superpopulação, tais aves comam os grãos de trigo e arroz em quantidade exagerada, pondo em risco as safras gaúchas destes produtos básicos para a alimentação popular.

Se as aves não forem abatidas pela caça, será necessário matá-las de outra forma, ecologicamente perigosa, como o envenenamento. A caça cumpre, assim, papel importante na vida brasileira. Complementarmente, os caçadores têm de pagar taxas de licença, revertidas para o meio-ambiente. Milhares de dispendiosos cães de caça têm suas vidas justificadas pelas temporadas anuais.

Será que tudo isso precisa acabar para que os cidadãos pagadores de impostos fiquem desarmados e indefesos?

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