Pronunciamento da ANPCA no Senado Federal
Caros amigos:
Diz o ditado que ninguém chuta cachorro morto.
Essa campanha das organizações GLOBO atacando a ANPCA e,
em particular, nosso diretor Marcello Torres, mostra que
nossa atuação está incomodando e, de fato, influenciando
os políticos.
Não é o "lobby" dos fabricantes que vai mudar a postura dos
congressistas, mas sim a pressão exercida pelos usuários de
armas do país que são cerca de 2,5 milhões de eleitores.
O GLOBO tem noticiado que o discurso do Marcello foi ofensivo
aos senadores.
Abaixo reproduzimos o discurso na íntegra para que todos
possam julgar por si mesmos.
Saudações,
Leonardo Arruda
Diretor de RP
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PRONUNCIAMENTO DA ANPCA NO SENADO FEDERAL - 13/01/2000
AUDIÊNCIA PÚBLICA ACERCA DOS PROJETOS DE DESARMAMENTO CIVIL
[REUNIÃO CONJUNTA DAS COMISSÕES DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E
RELAÇÕES EXTERIORES DO SENADO FEDERAL]
Sr. Presidente, Membros da Mesa, Excelentíssimos Senadores,
Senhores Governadores, Ilustres Convidados,
A Associação Nacional dos Proprietários e Comerciantes de
Armas, ANPCA, sente-se honrada em participar de tão
importante debate nesta casa, que sempre se destacou pelo
bom senso e visão de conseqüência ao discutir e analisar
os grandes temas da vida política da nação.
Sentimo-nos honrados, Senhores Senadores, em atender a
convocação desta Comissão, mas não é este o único sentimento
que carregamos conosco.
Percebemos com clareza o que há por trás da fachada vistosa
e aparentemente bem acabada das propostas pelo Desarmamento
Civil em curso nesta casa e na Câmara, cujos proponentes são
unânimes em admitir que NÃO irá resolver os problemas do
Crime e da Violência que assolam a nação, destarte sua q
uase fanática insistência em apresentar o Desarmamento como
uma panacéia milagrosa que deverá "dar início a uma nova
era de paz e boa vontade entre os homens".
Senhores Senadores, Ilustres Membros da Mesa, Senhor
Presidente, estamos, nós da Associação Nacional dos
Proprietários e Comerciantes de Armas, extremamente temerosos
acerca do futuro que aguarda a nação e o povo brasileiros,
caso o Parlamento ceda às pressões imediatistas e
inconseqüentes dos que ora pregam o Desarmamento Civil
das gentes de bem e cidadãos legítimos do país.
Seus proponentes asseguram-nos que os cidadãos brasileiros
somos, de um lado, aptos e obrigados a votar a cada eleição,
pagar impostos e taxas das mais variadas persuasões,
prover nosso sustento, constituir famílias, ter filhos e
educá-los para a vida, mas não somos suficientemente capazes
e preparados para decidir se nossas vidas e as de nossos
familiares devem ou não ser defendidas contra ações
criminosas, uma vez que os proponentes do Desarmamento
não consideram os cidadãos brasileiros sermos homens e
mulheres bastante responsáveis para uma decisão dessa
natureza. Portanto, pretendem decidir por nós. Com que
direito e moral podem fazê-lo?
Pregam a idéia simplista e míope da proibição pura e
simples, promovem "fogueiras santas" como as que se viam
nos tempos da Inquisição, distorcem os fatos, dão as costas
à Constituição Federal e agem ao arrepio dos dispositivos
legais mais consagrados, dos pilares do regime democrático
e das liberdades civis, direitos individuais e garantias
constitucionais.
Dos projetos ora em análise nesta Casa e na Câmara,
nenhum sugere QUALQUER medida de combate efetivo às causas
reais da Criminalidade, como as vergonhosas diferenças
sociais entre as diferentes camadas da população e a miséria
acintosa das periferias dos grandes centros urbanos, além
dos permanentes bolsões de desigualdades de toda sorte entre
os cidadãos simples, e os privilegiados, que o dito popular
batizou de "mais iguais que os outros", sendo os outros nós
todos que não dispomos de segurança armada, seja esta provida
pelo Estado -no caso de seus dignitários e autoridades- ou
paga a peso de ouro, nem tampouco podemos refugiar-nos em
verdadeiros bunkers como os que povoam os condomínios de
luxo e os bairros nobres das grandes cidades brasileiras.
Não, Senhor Presidente, membros da Mesa, Ilustres Senadores
e convidados presentes, para nós outros sobra somente a dura
realidade: estamos abandonados, à deriva do poder público,
sem quaisquer garantias formais ou efetivas de retornarmos
sãos e salvos a nossas casas, e o pior, vemos nossos destinos
serem negociados à revelia dos maiores interessados; nós
mesmos.
Quando se propõe ao cidadão de bem, que adquiriu suas armas
de forma legítima, obedecendo aos ditames e exigências da
Lei, que este as "devolva" para o Estado, abrindo mão dos
meios necessários para garantir sua legítima defesa, ferem-se
princípios constitucionais basilares, expressos na C.F./88,
Artigo 5º, parágrafo 2º, incisos XXII, XXIV, XXXVI e LIV,
como por exemplo, o direito à propriedade, à vida e segurança
pessoal.
Especialmente, busca-se disfarçar de modo vil o que isto
significa: um Confisco de Bens, pura e simplesmente! Não
há outra expressão que possa traduzir esta condição.
O cidadão que adquiriu suas armas no comércio especializado,
o fez de boa fé, confiando na estabilidade das instituições
e na legitimidade do Estado de Direito. Tristemente, porém,
o que percebemos é que o Governo brasileiro não tem a mesma
confiança e boa vontade conosco. Ao contrário, trata-nos
cada vez mais como súditos, em vez de cidadãos livres e
independentes. Do mesmo modo, a proposta de transformar o
registro de armas de um documento de fé pública permanente
em algo a renovar todos os anos, atenta contra o ordenamento
jurídico vigente na nação.
Como podemos respeitar e confiar num Governo que não nos
trata da mesma forma? Como podemos acreditar que o Estado
brasileiro irá proteger-nos amanhã, se hoje -e sempre- já
não o faz!? Qual será o passe de mágica que fará o Estado
tornar-se competente e eficaz no combate ao Crime? Isto os
proponentes do Desarmamento não podem responder. Ao contrário,
chegam mesmo a afirmar que "é necessário desarmar a
população de bem para que as polícias possam então desarmar
os bandidos". Que lógica é essa, a que iguala as vítimas
aos seus algozes, e fará das polícias meros verdugos, pois
são aquelas que irão, conforme afirma pelo menos um dos
projetos, "ter carta branca para fazer inspeções-surpresa
em busca de armas nas casas dos cidadãos"?
Senhor Presidente, Membros da Mesa, Senhores Senadores,
todos nos lembramos com clareza dos Anos de Chumbo da
ditadura militar. Pois saibam os Senhores que nem mesmo
àquela época tão conturbada, em pleno regime de exceção,
o Estado pretendeu invadir o domínio dos lares e vidas
dos cidadãos de bem, retirando-lhes o direito à legítima
defesa e a possibilidade de acesso a armas de fogo para a
manutenção deste mesmo direito. Hoje diz-se vivermos o
esplendor democrático e livre de um novo Brasil e,
entretanto, quer o atual Governo impor ao povo a ignomínia
de submeter-se a práticas desta ordem, que foram
rechaçadas até mesmo pelos governos militares.
Observem os Senhores, que os proponentes do Desarmamento
afirmam que a proibição da venda, posse e uso de armas e
munições para os cidadãos civis servirá para diminuir a
criminalidade, retirar de circulação o que reputam ser
"uma das maiores causas da violência", além de afirmar
que só assim poderá o Estado agir mais firmemente no
controle das armas ilegais. Ora, prezados Senadores,
estas noções não resistem a uma análise mais apurada.
Ao encerrar-se o comércio legal -e controlado pelo Estado-
abrir-se-ão as portas para a instalação definitiva do
Tráfico de Armas institucional no Brasil, uma vez que o
Estado terá aberto mão da via legal do controle da posse
e uso de armas, quais sejam, os registros policiais e
militares tanto de proprietários, como fabricantes e
comerciantes. Incentivando a atividade criminosa através
de ações cada vez mais ousadas e lesivas aos cidadãos de
bem, agora desarmados e completamente indefesos, o Estado
tornar-se-á então parceiro de bandidos e marginais por suas
próprias ações.
Aos cidadãos que se sentirem abandonados pelo poder público,
restará a opção de mover-se ao encontro da ilegalidade,
buscando junto aos traficantes de armas os meios para
garantir sua segurança e de suas famílias. Não resta dúvida
que, ao fazê-lo, o cidadão de bem, até então um amante da
Lei e da Ordem, ingressará nas hostes dos inimigos do Estado,
criando-se assim a semente perigosa da perversão da ordem
democrática, onde o braço armado do Estado investirá contra
seus concidadãos como se estes bandidos fossem. O exemplo
maior desse fenômeno e suas nefastas conseqüências
registrou-se nas décadas de Vinte e Trinta nos Estados Unidos
da América, com a famosa "Lei Seca".
Não devemos esquecer-nos que qualquer pai ou mãe está
sempre disposto a tudo para defender sua prole e seu
cônjuge, em particular dentro das fronteiras do lar.
Será lícito perseguir-se estas pessoas por desobedecerem
uma lei que os condenará à inação frente aos verdadeiros
criminosos? Lei esta que se confirma de antemão
Inconstitucional? Não será pior a emenda que o soneto?
Não é possível admitir que se institua no Brasil uma cultura
de submissão e rendição frente ao crime. Quando tal
pensamento se concretizar, a sociedade irá esfacelar-se,
pois os criminosos serão alçados ao domínio dos corações
e mentes dos brasileiros, sem mencionar a decisão que irão
manter sobre a vida ou morte de suas vítimas! E o passo
crucial para que esta monstruosidade venha a ocorrer é o
Desarmamento Civil, deixando os cidadãos entregues à própria
sorte nas mãos dos bandidos.
Dentro deste contexto, Senhores Senadores, membros desta
mesa, Senhor Presidente, o Estado deverá assumir ativa e
solidariamente o pleno ônus da TOTAL responsabilidade sobre
TODOS e CADA um dos cidadãos brasileiros, de vez que se lhes
irá retirar a possibilidade do uso das ferramentas ótimas
para a defesa pessoal, as armas de fogo. Será mesmo que o
Estado terá condições de prometer e realizar tal condição?
Parece-me que não, para dizer o mínimo. Na verdade, o Estado
brasileiro é francamente INCAPAZ de garantir a mínima segurança
pública para a população, que dirá a segurança particular e
privada de cada cidadão brasileiro! Em tempo, a Constituição
Federal não contempla esta possibilidade, pelo simples fato
de que tal circunstância pertence aos contos de fada: é
absolutamente IRREAL e IMPRATICÁVEL.
As grandes religiões do mundo aceitam o instituto da legítima
defesa. São Tomás de Aquino entendia que ninguém poderia dispor
da própria vida irresponsavelmente, pois a vida é o bem maior,
o milagre divino da criação expresso na realidade humana; se
um cristão se visse premido a reagir contra um atentado a
sua vida ou incolumidade física, deveria fazê-lo sem medo
de pecar, posto que estaria defendendo sua vida, e não
atentando contra a de outrem. A Encíclica Papal "Evangelium
Vitae" vai mais além e afirma ser a defesa própria e de
terceiros mais que um direito, uma grave responsabilidade
para todos que têm vidas alheias sob sua guarda, incluindo-se
aí as forças policiais e os chefes de família.
É bom lembrar-nos ainda que os proponentes do Desarmamento
afirmam ser esta a vontade da "maioria" do povo brasileiro.
Eu pergunto aos Excelentíssimos Senadores aqui presentes:
será que o povo foi efetivamente consultado a respeito?
Será que as tão decantadas pesquisas e listas de assinaturas
expressam a realidade? Quantas e quais regiões do país têm
sua opinião refletida nas listas?
Aliás, como é que se pretendem equilibrar as diferenças
regionais ao se promover um Desarmamento Civil tão extenso
quanto o que se pretende realizar? E em se buscando compensar
essas diferenças, não se criarão mais e maiores problemas?
Afinal, porque poderá um gaúcho mais que um carioca, e
menos que um amazonense? Não são todos cidadãos brasileiros?
Que tipo de país teremos ao estabelecermos a criação, sob a
égide do Estado, de castas privilegiadas e outras em condições
inferiores? Se um caboclo amazônico teme animais selvagens
e precisa caçar para garantir seu sustento, o que dizer dos
outros animais, estes de duas patas, que infestam as metrópoles
brasileiras, à espreita dos pais e mães da nação? Será razoável
garantir a sobrevivência de uns enquanto se retira de outros
essa mesma possibilidade? Onde ficarão os princípios e os
direitos fundamentais?
Quando se falam em Um Milhão e Quinhentas Mil Assinaturas
a FAVOR do Desarmamento, quantas dessas assinaturas foram
obtidas de forma GENUINAMENTE voluntária? Quantas outrossim
foram extorquidas ou seduzidas sob promessa de recompensas?
Quantas dessas assinaturas são de cidadãos brasileiros MAIORES
de 21 anos, com endereço conhecido, que possam demonstrar
comportamento social produtivo, sem passagens policiais
ou condenações judiciais, enfim, os únicos que podem possuir
e adquirir armas no Brasil, portanto, os maiores interessados
em se manifestar a respeito? Quantas dessas assinaturas têm
seus nomes identificados? Quantas dessas assinaturas atenderão
a estas condições?
A Associação Nacional dos Proprietários e Comerciantes de
Armas circulou um Abaixo-Assinado há alguns meses. Nossa
lista trazia as exigências declinadas acima para quem quisesse
assiná-la. Não fomos a escolas de primeiro e segundo grau,
não distribuímos computadores nem cestas básicas a título de
"incentivo", nem recolhemos assinaturas em meio a operações
policiais de trânsito. Não houve nenhuma adesão por meio de
coerção ou coação, ainda que disfarçadamente. Ao contrário,
somente assinaram nossas listas, espalhadas por lojas de armas
de diversos pontos do país, estandes de tiro etc., aqueles
que aceitaram identificar-se através de um documento de
identidade válido. Com todas estas restrições qualitativas,
obtivemos cerca de 170.000 (cento e setenta mil) assinaturas,
ou aproximadamente 10% do que obtiveram nossos opositores,
que não impuseram nenhuma condição a seus assinantes, pelo
contrário. E mais não conseguimos porque recolhemos as listas
meses atrás.
Pois bem, a despeito de qualquer outra consideração,
poder-se-ia dizer que somos a Minoria, e como qualquer
outra Minoria, temos nossos direitos garantidos pela
Constituição Federal. E não serão os aproximadamente
2,5 milhões de proprietários de armas legais a minoria
da população brasileira, somando apenas 1,5% do Censo?
Certamente que sim! Estes cidadãos compõem uma minoria
que respeita a Lei, e mantém-se legítima e honesta, caso
contrário não poderia satisfazer as exigências legais
para a compra, posse e uso de armas. Pergunta-se: que
impacto poderá causar sobre a criminalidade e a violência o
Desarmamento de tão pequena parcela da população? Em outras
palavras, ilustres Senadores, porque insistir de modo tão
veemente nesta tese relacional absurda, a que afirma serem
as armas em posse dos cidadãos de bem as responsáveis ou
co-responsáveis pela criminalidade?
Não se estará criando, ainda, uma odiosa forma de
discriminação social ao se manterem os privilégios e direitos
adquiridos de militares, juízes, promotores, defensores
públicos, procuradores, Senadores, Deputados Federais e
estaduais, chefes de autarquias etc.? Não afirma a
Constituição que a Lei é igual para todos? Como portanto
se concebe que uns tudo possam e outros não? Não nos parece
razoável que esta casa possa promover essa idéia, mas é
exatamente o que propõem a maior parte dos projetos em tela.
E se não o fizerem, não importa, pois há mecanismos de
salvaguarda, como a Lei Orgânica da Magistratura, que NÃO
SERÃO tocados pelas leis que advirem desta discussão.
Aliás, Senhores Senadores, também não serão afetados pelo
Desarmamento Civil aqueles a quem se procura em tese atingir,
quais sejam, os criminosos. É mais do que evidente que
NENHUM meliante adquire suas armas em lojas legais! Como
então estes as obtém? Talvez uma das respostas possíveis
se encontre nas estatísticas de armas apreendidas. Somente
no ano passado no estado do Rio de Janeiro, as firmas de
segurança "perderam" cerca de 13.000 armas! Para onde vão
estas armas? É um descalabro imaginar que se extraviaram
mais do que o dobro das armas vendidas em todo o ano de
1998!
Convém lembrar aos senhores que o Brasil é, sob qualquer
ótica, um país essencialmente desarmado. Desde a criação
do SINARM - Sistema Nacional de Armas - em 1997,
registraram-se entre as baixas de arquivos estaduais já
existentes e novas aquisições cerca de 1,8 milhão de armas.
Isto significa cerca de 1,5% da população brasileira,
talvez ainda menos, pois é preciso contabilizar-se as
compras institucionais e oficiais, que comprazem o grosso
das aquisições de armas junto às fábricas. Diga-se de passagem,
a lei 9437/97 -que instituiu o SINARM e dispôs sobre
Portes de Armas etc.- sequer completou três anos de vigência
e já se pretende desfigurá-la ou mesmo revogá-la.
E os regulamentos militares sobre o assunto, que foram
promulgados pelo Presidente em Março de 1999, após intensos
e exaustivos estudos -por cerca de oito anos!- para formular
uma legislação específica que fosse o mais abrangente e
detalhista possível? Jogam-se fora anos e anos de trabalho?
Por que? Para que? Quem se beneficiará disso?
O que temos em nosso país, Excelentíssimos Senadores, não
é um problema de excesso ou mau uso de armas; temos um
gravíssimo problema social, aliás, problemas, que acabam
por explodir em crimes como os que tem chocado a sociedade
brasileira. É verdade que hoje as metrópoles sofrem de
violência endêmica. O que não é verdadeiro é a relação
desenhada pelos proponentes do Desarmamento entre crime,
violência e armas de fogo no tocante aos cidadãos de bem,
que afinal é contra quem se pretende promover o Desarmamento
Civil.
Admitir ou imaginar que as armas são por si só agentes
criminogênicos é reverter aos primórdios da civilização
primitiva, adotando o totemismo. Elegem-se "demônios de
ocasião", que vestem as roupas da moda, e se desfecham
perseguições e inquisições contra o "espírito maligno"
da vez. Até grandes quebra-quebras de armas ditas poderosas
tem sido observados em alguns estados. O que os organizadores
desses espetáculos dantescos, como o promovido ano passado
no complexo do Maracanã, no Rio de Janeiro, não revelam é
que as armas neles destruídas aos gritos de "Xô, Demônio!"
foram obtidas junto às unidades militares responsáveis das
áreas, que forneceram somente sucata há muito acautelada e
depois a recolheram novamente aos quartéis como manda a lei,
com todo o aparato de segurança militar a tiracolo. O que se
pretendem então estas manifestações, senão demonizar as armas
-objetos inanimados- e seus proprietários legítimos, e
insuflar uma parcela considerável da população contra outras?
No passado, os comunistas foram acusados de comer criancinhas:
hoje são os proprietários de armas.
Um dos argumentos mais utilizados para justificar o
Desarmamento se baseia nos chamados "crimes de ocasião",
como discussões de trânsito, brigas de bêbados etc. Pretendem
seus defensores que estes crimes sejam estatisticamente
significantes e que não ocorreriam caso não existissem armas.
Ora, basta um mínimo de capacidade de observação para
perceber que na quase totalidade das vezes, o agente
provocador dessas ocorrências reside no consumo de álcool
e entorpecentes. E que pessoas embriagadas ou intoxicadas
irão promover violências com o que estiver à mão, sejam
cacos de vidro, facas, pedaços de madeira ou o que for.
Sem falar que dadas as leis atuais, como a 9437/97, e a
realidade dos índices de criminalidade verificados pelas
Polícias, aqueles que praticam tais crimes não o fazem
portando armas legalmente.
A verdade final, Senhores Senadores, é que o Estado não
pode imiscuir-se no âmbito privado; a decisão sobre obter
ou não uma arma de fogo é de foro intimíssimo, e ninguém
poderá afirmar o contrário. A Associação Nacional de
Proprietários e Comerciantes de Armas não prega o armamento
geral da população para fins de defesa própria, pois
reconhecemos estas particularidades, além de mantermos a
posição de que o uso eficiente e seguro de armas depende
fundamentalmente do indivíduo, de cada indivíduo, e não é
possível impor a ninguém tal decisão. Mas também cremos que
não se pode usurpar dos cidadãos de bem, homens e mulheres
deste país, o livre arbítrio e acesso a armas de fogo que
possam viabilizar sua legítima defesa, em caso de extrema
necessidade. Sob qualquer hipótese, o direito da livre escolha
responsável deve ser preservado. Lembremos que a ditadura
da maioria sobre as minorias não é Democracia, se não
forem respeitadas e mantidas as Liberdades Individuais,
os Direitos Civis e as Garantias Constitucionais.
Isto sim é Democracia!
Devemos concluir lembrando aos ilustres Senadores, Membros
desta mesa e convidados, que sobre vossos ombros repousam
graves responsabilidades, e se lhes irá cobrar a Nação.
Concluo portanto, deixando a todos os Senhores e Senhoras,
Senadores da República, um apelo à razão, ao bom senso e à
independência. Que Deus abençoe a todos e lhes dê forças
para resistir às pressões, garantindo-lhes o voto livre e
desimpedido.
Despeço-me deste Plenário, em nome da Associação Nacional
dos Proprietários e Comerciantes de Armas - ANPCA, renovando
nossos votos de cooperação irrestrita para que se avancem
estes debates sob a luz da razão e dos fatos, deixando de
lado os exageros e as cortinas de fumaça que tendem a esconder
a realidade sob nossos olhos.
Muito obrigado pela atenção de todos.
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